Introdução ao pensamento de Judith Butler

CURSO MINISTRADO POR: Berenice Bento

VAGAS: 97

CARGA HORÁRIA: 10h

DIAS DO CURSO: 08, 09, 10, 11 e 12/02/2021 - 19h

 

O curso poderá contribuir com as reflexões de estudantes/pesquisadores-as/ativistas que atuam com populações que historicamente lutam por reconhecimento (negros/as, travestis, transexuais, mulheres, populações indígenas) e que para isso precisam produzir dispositivos discursivos que se contrapõem a outros que negam seus direitos.

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R$ 280,00

Ementa do Curso

Judith Butler tornou-se uma referência obrigatória nos estudos queer. A teoria da performatividade, paródia de gênero, melancolia de gênero formam parte de um corpus teórico que tem como principal objetivo desnaturalizar as identidades de gênero e negar a diferença sexual como o demiurgo do desejo. No entanto, o pensamento de Butler não se limita às questões de gênero. As reflexões sobre a luta e os processos mesmo pelo reconhecimento nos leva a pensar a precariedade da categoria humanidade.
Nas reflexões de Judith Butler sobre luta por reconhecimento/identidade/diferença/abjeção, o Estado aparece como um “ator” fundamental no processo de distribuição diferencial de cidadania e de produção dos sentidos atribuídos à humanidade. Com este movimento teórico, a autora termina por borrar os limites entre teoria social e ontologia.

Este minicurso poderá contribuir com as reflexões de estudantes/pesquisadores-as/ativistas que atuam com populações que historicamente lutam por reconhecimento (negros/as, travestis, transexuais, mulheres, populações indígenas) e que para isso precisam produzir dispositivos discursivos que se contrapõem a outros que negam seus direitos.

Programa do minicurso:

Aula 1
Enquadramento da obra de Judith Butler: primeiras aproximações.

Objetivo: Contextualizar a obra da filósofa, apontando escolas e teorias com as quais a filósofa tem dialogando. Tentarei apontar, neste primeiro encontro, linhas de continuidade entre as primeiras obras da filósofa, focadas no debate sobre gênero, e as publicadas mais recentemente, nas quais o debate sobre Estado e violência assumem o protagonismo. Acredito que não existe a Judith Butler de “Problemas de Gênero” e a de “Caminhos divergentes”. Embora as perguntas que orientam cada obra tenham singularidades, há um lastro filosófico, caldado na impossibilidade de se pensar a constituição do “eu” fora dos marcos da relacionalidade ética e da luta por reconhecimento. E será este “lastro” o objeto deste primeiro encontro.

Aula 2
Reconhecimento/não reconhecimento

Objetivos: Refletir como os atos que fazem o humano passam, necessariamente, pela relação com os Outros. A discussão sobre a constituição do “eu”, desta forma, está amarrado ao debate sobre a reconhecimento/diferença. O reconhecimento deste Outro que me constitui, no entanto, não acontece em uma única direção. Os atos de não-reconhecimento, ou seja, de negação de quaisquer possibilidade de identificação com estes Outros também são partes estruturantes das subjetividades e das performances dos sujeitos no mundo.
A centralidade da categoria “reconhecimento” no processo constitutivo dos sujeitos só faz sentido quando relacionada aos atos de não reconhecimento e a tríada conceitual “reconhecimento/diferença/abjeção” que nos ajudará a interpretar o lugar que os corpos e as performances ocupam nas hierarquias sociais.

Aula 3
Gênero e os limites do dimorfismo sexual

Objetivos: O livro “Problemas de gênero” tornou-se um marco nas disputas internas nas políticas feministas, principalmente em relação àquelas que interpretam a constituição das identidades de gênero tendo como fundamento de suas análises o pressuposto universalista da diferença sexual binária.
Neste encontro, apresentarei os conceitos de performatividade de gênero, normas de gênero, os limites e tensões da política da representação, matriz de inteligibilidade de gênero e abjeção.

Aula 4
O paradoxo do Estado: produtor de reconhecimento e da morte

Objetivos: Problematizar a relação cidadania-ser humano. Algumas vezes, estes dois termos aparecem com certa intercambialidade, no entanto, se tentará apontar as fricções entre eles. O Estado-nação inaugura a noção de cidadão/cidadã. Mas seriam as concepções de cidadania e ser humano intercambiáveis? Seria o Estado uma esfera controladora e produtora das noções de inteligibilidade do “ser”? Esta tensão, de certa forma, atravessa parte considerável do pensamento da filósofa, principalmente quando se pense a vida dos que estão fora do Estado..

Aula 5
Os sem-Estado: Apátridas, diásporas e exílios (a questão da Nakba (catástrofe) palestina)

Objetivos: Um dos efeitos da fundação dos Estados-nação foi a produção de um tipo de sujeito própria da modernidade, os sem-Estado (os apátridas). A discussão sobre os sujeitos sem-Estado pode ser recortada a partir de relatos biográficos (o que Butler muitas vezes o faz referenciando-se na experiência de Hannah Arendt), mas também de uma coletividade. Na dimensão coletiva, a ênfase do curso estará nos campos de refugiados e os campos de detenção provisório dos migrantes que, atualmente, espalham-se pela europeia. Quais são as implicações de vidas que existem sem existirem como ser político, a exemplo do povo palestino? Corpos sem as marcas burocráticas da identidade nacional (sem documentos, sem passaporte) importam?

 

Aspectos técnicos
O curso será transmitido pela plataforma Google Meet. No dia do primeiro encontro, os alunos receberão um email com as instruções, informações sobre a dinâmica das aulas e um link para acessar a videoconferência. Para acessar a plataforma pelo desktop, basta clicar no link. Para acessar pelo smartphone, é preciso baixar o aplicativo do Meet. Todas as aulas são gravadas e enviadas por e-mail para a turma após cada encontro e ficarão disponíveis por 30 dias corridos a partir do último dia de aula. O curso é certificado para quem assistir a 75% das aulas ao vivo. Para mais informações: [email protected]

 

Ministrado por

Berenice Bento

Professora do Departamento de Sociologia (UnB) e pesquisadora do CNPq. Pós-doutorado pela City University of New York (CUNY/EUA/2014). Coordenou o I Seminário Internacional Desfazendo Gênero (2013/UFRN). Além de publicar em periódicos nacionais e internacionais, é autora dos livros “A reinvenção do corpo: gênero e sexualidade na experiência transexual” (Garamond, 2006, 1a. edição; EdUFRN, 2014, 2a. … Continue lendo “Berenice Bento”

Aulas

AULA 1
Data: 08/02/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 2
Data: 09/02/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 3
Data: 10/02/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 4
Data: 11/02/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 5
Data: 12/02/2021
Horário: das 19h às 21h