FREUD NO SÉCULO XXI

CURSO MINISTRADO POR: Gilson Iannini

VAGAS: 86

CARGA HORÁRIA:

DIAS DO CURSO: 10, 13, 17 e 20/11/2020 - 19h

 

O objetivo deste curso é fornecer alguns elementos para ler Freud como um dos autores centrais para compreensão do século XXI. Centraremos esforços para ler textos escritos na virada dos anos 1920, no imediato pós-guerra, sob o impacto da “gripe espanhola”. Textos que, infelizmente, guardam uma série de similaridades com o tempo presente.

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Ementa do Curso

Pertence verdadeiramente ao seu tempo”, escreve Agamben, “aquele que não coincide perfeitamente com ele nem se adequa às suas exigências e é, por isso, nesse sentido, inatual; mas, precisamente por isso, exatamente através dessa separação e desse anacronismo, ele é capaz, mais do que outros, de perceber e de apreender o seu tempo”. Essa observação descreve perfeitamente o desafio de ler a relação de Freud com seu tempo e com suas heranças. A psicanálise está enraizada na história. Não apenas como testemunha: também como agente transformador dessa mesma história. Neste sentido, Freud é perfeitamente contemporâneo, não apenas de seu próprio tempo, mas também do nosso. Afinal, contemporâneo é “aquele que sabe ver essa obscuridade”. Justamente porque neutraliza as luzes de seu próprio tempo, Freud está profundamente enraizado naquilo que em seu tempo histórico é, na verdade, inatual. Não foi a psicanálise que desativou o dispositivo médico que silenciava o sofrimento histérico, e, ao fazê-lo, lhe deu voz, uma voz que, justamente, denunciava o liame invisível entre um certo saber psicopatológico e a hipocrisia sexual? Não foi Freud quem retirou os sonhos e as fantasias sexuais infantis das brumas do absurdo e da inexistência, e lhes emprestou uma linguagem e uma forma? Não foi o divã  – e a associação-livre – que liberou a palavra das regras tácitas da conversação ordinária e ofereceu a ela um espaço em que aquilo que não se pode dizer finalmente ganhava corpo e surpreendia inclusive aquele que fala?

Há exatos 101 anos, numa  carta endereçada ao psicanalista húngaro Sándor Ferenczi, Freud anuncia, numa única sentença, ter realizado três tarefas quase simultaneamente: “eu não apenas concluí um rascunho de ‘Além do princípio de prazer’, que está sendo copiado para você, mas também retomei mais uma vez o pequeno escrito ‘Das Unheimliche’, e, com uma simples ocorrência eu alcancei o fundamento psicanalítico da Psicologia das Massas”. Isso mostra, por si só, como estão imbricados no pensamento de Freud três dimensões aparentemente independentes umas das outras. Num dos vértices do triângulo, a bastante bem conhecida reformulação clínica e metapsicológica da teoria das pulsões; na outra ponta, a reflexão estético-literária, que suplementa a ambição científica de Freud de aspectos refratários àquela racionalidade; no terceiro vértice, a vertente política e social da psicanálise, que situa o sujeito na tênue linha que o liga e o separa entre o individual e o social. Essa imbricação triangular não é apenas o resultado de uma reconfiguração histórica, explicada em grande medida pelos diversos impactos que a Grande Guerra determinou, mas expressa uma solidariedade, um solo comum da experiência freudiana.

O objetivo deste curso é fornecer alguns elementos para ler Freud como um dos autores centrais para compreensão do século XXI. Centraremos esforços para ler textos escritos na virada dos anos 1920, no imediato pós-guerra, sob o impacto da “gripe espanhola”. Textos que, infelizmente, guardam uma série de similaridades com o tempo presente.

AULA 1

Um dia o século será freudiano.

O que é a psicanálise? Corpo e alma. Tratamento pela fala. O indivíduo, o sujeito e o falasser. Proteger a psicanálise dos sacerdotes e dos médicos. A virada dos anos 1920: inflexões políticas da psicanálise. As clínicas públicas.

Aula 2

Sonhos confinados.

É possível sentir-se em casa em casa? A generalização do unheimlich. O infamiliar e as formas da negação. Palavras antitéticas. O desamparo. Sonhos em tempos de pandemia. Por que não acreditamos na morte?

AULA 3

O Além do princípio de prazer em camadas

O Além do princípio de prazer em camadas. O manuscrito, o datilografado e impresso. Traços daimoníacos do destino. Do fenômeno da repetição à compulsão à repetição. O fort-da e a voz. A invenção de Eros. Modelos científicos, modelos literários. Freud e o Alcorão.

AULA 4

Não lemos o mal-estar. É ele quem nos lê.

Moral sexual cultural como resposta política a um problema racial. Cultura e civilização. O antagonismo pulsão x cultura. Elementos de teoria social freudiana: identificação e segregação na era digital. O paradoxo da felicidade e o desamparo. Pulsão de morte e os impasses da cultura.

 

 

Ministrado por

Gilson Iannini

Professor do Departamento de psicologia da UFMG. Autor de “Estilo e verdade em Jacques Lacan”. Editor da coleção Obras incompletas de Sigmund Freud.

Aulas

AULA 1
Data: 10/11/2020
Horário: das 19h às 21h

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AULA 2
Data: 13/11/2020
Horário: das 19h às 21h

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AULA 3
Data: 17/11/2020
Horário: das 19h às 21h

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AULA 4
Data: 20/11/2020
Horário: das 19h às 21h