David Lynch com Freud: da tela ao divã

CURSO MINISTRADO POR: Giovanna Bartucci

VAGAS: 33

CARGA HORÁRIA: 10h

DIAS DO CURSO: 01, 08, 15, 22 e 29/08/2019 (Quintas-Feiras) - das 20h às 22h

 

O curso visa compreender a obra de David Lynch como fruto da contemporaneidade. Refletiremos sobre as dinâmicas e mecanismos que permitem que entendamos a obra do artista como um “lugar psíquico de constituição de subjetividade”, ou seja, como aquilo que possibilitará que pensemos o ato da criação como criação de um sujeito.

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R$ 440,00

Ementa do Curso

Frequentemente associada a qualidades oníricas, a obra cinematográfica (e televisiva) de David Lynch ocupa um lugar central em sua produção artística na medida em que tem na experiência-limite denominada das Unnheimliche – a experiência-limite de encontro com o duplo – o seu fundamento. E, ainda que Lynch tenha sido “levado” a fazer cinema por meio de sua pintura, seu primeiro suporte artístico, há que se perguntar qual a função que o seu cinema – com tais características – exerce nos tempos que correm, tanto para cineasta quanto para espectador.

De modo que este curso visa, inicialmente, compreender a obra de David Lynch como fruto da contemporaneidade. Num segundo momento, refletiremos sobre as dinâmicas e mecanismos que permitem que entendamos a obra do artista como um “lugar psíquico de constituição de subjetividade”, ou seja, como aquilo que possibilitará que pensemos o ato da criação como criação de um sujeito.

Indicações de filmografia e de leitura, ainda que não obrigatórias para participação no curso, acompanham cada uma das aulas. Sugerirmos, contudo, que os filmes de Lynch sejam assistidos antecipadamente, para melhor aproveitamento do curso.

Aula 1: O infamiliar (unheimliche) mal-estar contemporâneo na obra de David Lynch

Nosso objetivo, nesta aula, será o de circunscrever o infamiliar (unheimliche) mal-estar contemporâneo na obra de David Lynch por meio da identificação de características modernas e pós-modernas presentes nos tempos que correm – para que possamos, então, nos perguntarmos sobre a função de seu cinema.

Sugestão de leitura e filmografia:
Agamben, Giorgio. (2006) O que é o contemporâneo. In: ______. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Tradução: Vinícius N. Honesko. Chapecó: Argus, 2009, p. 55-76.
Freud, Sigmund. O Infamiliar (Das Unheimliche) (1919). In: _________. Obras Incompletas de Sigmund Freud. Tradução: Ernani Chaves e Pedro H. Tavares. Belo Horizonte: Autêntica, 2019, p. 27-125.
David Lynch: A Vida de um Artista (Jon Nguyen, Rick Barnes, Olivia Neergaard-Holm. David Lynch: The Art Life, EUA.|DEN, 2017, 88’, color).
Os Curtas de David Lynch (The Short Films of David Lynch, EUA., 2002)
Os Comerciais de David Lynch (The Commercials of David Lynch): https://www.youtube.com/watch?v=RoCYbQBTmlY

Aula 2: Do corpo fragmentado à identificação com o objeto

Se para Freud, “o eu é antes de tudo um eu corporal”, Lacan explicita em “O estádio do espelho como formador da função do eu” (1949) que a “imagem de si mesmo”, e também sua constituição, têm algo de uma identificação com o aquilo que, num primeiro olhar, foi dirigido ao sujeito. Assim, é do narcisismo e sua instituição, presentes na obra cinematográfica de David Lynch, que tratará está aula.

Sugestão de leitura e filmografia:
Lacan, Jacques. (1949) O estádio do espelho como formador da função do eu. In: ________. (1966) Escritos. Tradução: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 96-103.
Eraserhead (David Lynch. Eraserhead, EUA., 1976, 89’, p&b)
O Homem Elefante (David Lynch. The Elephant Man, EUA.| UK., 1980, 124’, color)
Veludo Azul (David Lynch. Blue Velvet, EUA., 1986, 120’, color)
Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (David Lynch. Twin Peaks: Fire Walk with Me, EUA.| FR., 1992, 134’, color)

Aula 3: Do detetive ao psicanalista ao objeto transicional: passagens e inscrições

Nesta aula, nos ocuparemos dos “objetos transicionais” (uma “orelha”, um “interfone”, um “sonho”…) presentes na filmografia do diretor norte-americano e cuja função seria a de promover deslocamentos (pulsionais/representacionais) entre diferentes “planos” psíquicos, uma vez que estamos trabalhando com a ideia de que o cinema de David Lynch explicita, para nós, a presença de dinâmicas constitutivas do sujeito atuantes na cultura contemporânea.

Sugestão de leitura e filmografia:
Winnicott, Donald W. (1953) Objetos transicionais e fenômenos transicionais. In: _______. O brincar e a realidade. Tradução: J. O. A. Abreu e V. Nobre. Rio de Janeiro: Imago, 1975, p. 13-44.
A Estrada Perdida (David Lynch. Lost Highway, EUA.| FR., 1997, 135’, color)
A História Real (David Lynch. The Straight Story, EUA.|FR.|UK., 1999, 111’, color)

Aula 4: Fantasia e subjetivação

Em “Batem numa criança” (1919), Freud descreve as etapas da apropriação fantasística por meio das quais torna-se possível pensar a questão da subjetivação da fantasia. É possível identificarmos tais modalidades de subjetivação da fantasia na obra de Lynch? Indagação importante uma vez que entendemos a obra do cineasta como um “lugar psíquico de constituição de subjetividade”, ou seja, como aquilo que possibilitará que pensemos o ato da criação como criação de um sujeito.

Sugestão de leitura e filmografia:
Freud, Sigmund. (1917) Luto e melancolia. In: ________. Luto e melancolia. Tradução: Marilene Carone. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p. 44-87.
Freud, Sigmund. (1919) “Batem numa criança”: Contribuição ao conhecimento da gênese das perversões sexuais. In: ________. Obras completas volume 14. História de uma neurose infantil (“O homem dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros textos (1917-1920). Tradução: Paulo César de Souza. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010, p. 293-327.
Coração Selvagem (David Lynch. Wild at Heart, EUA., 1990, 124’, color)
Cidade dos Sonhos (David Lynch. Mulholland Drive, EUA.| FR., 2001, 146’, color)

Aula 5: Da estética Lynchiana à constituição de subjetividade

Concluiremos o curso refletindo sobre o percurso que vai da estética Lynchiana à possibilidade de constituição de subjetividade, tanto de cineasta quanto de espectador.

Sugestão de leitura:
Bartucci, Giovanna. (1999) Entre o mesmo e o duplo, inscreve-se a alteridade. Psicanálise freudiana e escritura borgiana. In: _____. Fragilidade absoluta. Ensaios sobre psicanálise e contemporaneidade. São Paulo: Planeta, 2006, p. 77-108.
________. (2005) Maria Madalena e Édipo Complexo. São novas narrativas necessárias na psicanálise contemporânea? In: _____. Fragilidade absoluta. Ensaios sobre psicanálise e contemporaneidade. São Paulo: Planeta, 2006, p. 135-157.

Ministrado por

Giovanna Bartucci

É psicanalista. Professora doutora em Teoria Psicanalítica (UFRJ), mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), é membro efetivo paulista da Associação Brasileira de Psicanálise de Casal e Família (ABPCF). Autora de Onde tudo acontece ─ cultura e psicanálise no século XXI (Civilização Brasileira), Prêmio Jabuti 2014 (categoria Psicologia e Psicanálise, 3º lugar) e Fragilidade absoluta ─ ensaios … Continue lendo “Giovanna Bartucci”

Aulas

AULA 1
Data: 01/08/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 2
Data: 08/08/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 3
Data: 15/08/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 4
Data: 22/08/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 5
Data: 29/08/2019
Horário: das 20h às 22h