Clínica e política

CURSO MINISTRADO POR: Larissa Drigo Agostinho

VAGAS: 43

CARGA HORÁRIA: 12h

DIAS DO CURSO: 11, 13, 18, 20, 25 e 27/01/2021 - 19h

 

O curso tem como objetivo sublinhar a importância da psicanálise e seus limites nos debates que produziram uma verdadeira revolução no universo da clínica e da psiquiatria nos anos 60 e 70.

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R$ 280,00

Ementa do Curso

O curso tem como objetivo sublinhar a importância da psicanálise e seus limites nos debates que produziram uma verdadeira revolução no universo da clínica e da psiquiatria nos anos 60 e 70, a reforma psiquiátrica, fenômeno global do qual examinaremos algumas vertentes, na Europa e fora dela. Em primeiro lugar, vamos discutir a fratura entre a psicoterapia institucional francesa e a antipsiquiatria italiana, trata-se aqui de pensar a relação entre psiquismo e vida social, de questionar se há de fato algo que possa ser chamado de psíquico ou se toda alienação dita psíquica é resultado de uma alienação social. Assim, o que está em questão aqui é o reconhecimento mesmo da existência de algo que na psicanálise chamou-se inconsciente. Analisaremos tanto o desenvolvimento dos diagnósticos quanto das “formas de tratamento” dentro dessas duas correntes. Com a análise da experiência do SPK veremos de que forma a experiência da auto-gestão e da clínica podem se encontrar em sua forma mais radical. Em seguida, trata-se de analisar os limites da clínica diante da experiência colonial, a partir da experiência de Frantz Fanon na Argélia. Na quinta aula, veremos de que forma as teorias feministas colocaram em questão a psicanálise e sua teoria da sexualidade, do gênero e por consequência, do que podemos entender por inconsciente. Abordaremos a relação entre público e privado a partir do feminismo colocando em questão os limites do discurso teórico da psicanálise. Na sexta aula, abordaremos a forma pela qual Deleuze e Guattari entendem a relação entre vida psíquica e vida social e de que forma é possível aliar o marxismo à psicanálise depois de Reich.

Aula 1

A psicoterapia institucional na França e o direito à loucura
De Saint-Alban a La borde

Aula 2

Alienação social e alienação psíquica
Basaglia e a experiência italiana

Aula 3

No limite: a experiência do SPK na Alemanha
Clínica, auto-gestão e marxismo

Aula 4

A clínica e seus limites
Fanon e a questão colonial

Aula 5

A questão do sexo, gênero, transexualidade e queer
Judith Butler e Gayle Rubin diante de Freud e Lacan
Monique Wittig, a psicanálise no espaço público e como discurso teórico

Aula 6

Deleuze, Guattari depois de Reich
A psicanálise e o social

Bibliografia

AMARANTE, Paulo. Uma aventura no manicômio: a trajetória de Franco Basaglia. Hist. cienc. saude-Manguinhos,  Rio de Janeiro ,  v. 1, n. 1, p. 61-77,  out.  1994 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701994000100006&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em  14  set.  2020.

BASAGLIA, F. A instituição negada: relato de um hospital psiquiátrico. Rio de Janeiro: Edições Graal; 1968. 

BARRETO, L. Diário do hospício & O cemitério dos vivos. São Paulo, Companhia das Letras, 2017.

BUTLER, Judith. (1990) Problemas de gênero: Feminismo e subversão da identidade. (Tradução de Renato Aguiar). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

BUTLER, Judith. “Resposta a Adam Phillips”; “Começos psíquicos”. Em: A vida psíquica do poder: Teorias da sujeição. (Tradução de Rogério Bettoni). Belo Horizonte: Autêntica, 2017.

CIXOUS, Hélène. (1975) “The Laugh of the Medusa”. (Tradução de Keith Cohen e Paula Cohen). Em: Signs, Vol. 1, No. 4. Chicago: The University of Chicago Press, 1976. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/66416/mod_resource/content/1/cixous-the-laugh-of-the-medusa.pdf

DELEUZE, GUATTARI. O Anti-Édipo. São Paulo: Editora 34, 2011.

GUATTARI, F. A revolução molecular: pulsações políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense, 1985.

HOLANDA, Heloísa Buarque (org). Pensamento Feminista: Conceitos Fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2019.

FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1966.

______________ Alienação e liberdade. Escritos psiquiátricos. São Paulo, UBU, 2020.

FAUSTINO, Deivison Mendes. “Por que Fanon? Por que agora?”: Frantz Fanon e os fanonismos no Brasil. Tese de doutoramento. Universidade de São Carlos, 2015.

OURY, J. « Place de la psychothérapie institutionnelle ». In : VERDIGLIONE, A. (dir.) Psychanalyse et politique. Paris : Seuil, 1974.

OURY, Jean. TOSQUELLES, F. GUATTARI, F. Pratique de l’institutionnel et politique : FeniXX, 1985.

PARENTE, Alessandra Martins e SILVEIRA, Léa. Freud e o patriarcado. São Paulo: Hedra/Fapesp, 2020.

PORCHAT, Patrícia. Psicanálise e Transexualismo: Desconstruindo gêneros e patologias com Judith Butler. Curitiba: Juruá Editora, 2014.

PRECIADO, P. Intervenção na 49 Jornada da escola da causa Freudiana (17/11/19) disponível em : http://lacanempdf.blogspot.com/2019/12/paul-b-preciado-intervencao-na-49.html

RODRIGUES, H. B. C. Análise institucional francesa e transformação social: o tempo (e o contratempo) das intervenções. In: RODRIGUES, H. C. B.; ALTOÉ, S. (orgs.). Saúde Loucura 8: análise institucional. São Paulo. Hucitec, 2004.

RODRIGUES, H. B. C. Um anarquista catalão: aventuras do freudo-marxismo na França. Cadernos de Psicologia IP/UERJ, Rio de Janeiro, v. 8, p. 151-170, 1998.

REICH, W. Psicologia das massas do fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

RUBIN, Gayle. Políticas do sexo. Trad.: Jamille Pinheiro Dias. São Paulo: Ubu Editora, 2017.

SILVEIRA, Léa. “Assim é a mulher por trás de seu véu? Questionamento sobre o lugar do significante falo na fala de mulheres leitoras dos Escritos”. Em: Lacuna: Uma revista de psicanálise, v. 3, 2017. Disponível em: https://revistalacuna.com/2017/04/28/n3-08/#_ftnref14

____________ Feminismo e psicanálise. Disponível em: https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/feminismo-e-psicanalise/

SCOTT, Joan. “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”, tradução de Guacira Lopes Louro. Revista de Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 15, n. 2, 1990.

Sozialistisches Patientenkollektiv (SPK). Aus der Krankheit eine Waffe machen. Eine Agitationsschrift. Munique: Trikont-Verlag, 1972.

VERTZMAN, J; CAVALCANTI, M.; SERPA Jr. Psicoterapia institucional: uma revisão. In: BEZERRA Jr, B.; AMARANTE, P. (orgs.). Psiquiatria sem hospício: contribuições ao estudo da reforma psiquiátrica. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1992.

Sozialistisches Patientenkollektiv (SPK). Aus der Krankheit eine Waffe machen. Eine Agitationsschrift. Munique: Trikont-Verlag, 1972.

WITTIG, M. La pensée straight. Paris: Amsterdan, 2007.

 

 

Aspectos técnicos

As aulas serão transmitidas pelo Google Meet. As instruções para o acesso serão enviadas por e-mail dois dias antes do início do curso. Se você se inscrever nos últimos momentos, receberá essas instruções no dia da primeira aula.

Nossas aulas são transmitidas ao vivo, mas são também gravadas e podem ser assistidas posteriormente. Os links dos vídeos ficam ativos por 30 dias corridos a partir do fim do curso. Oferecemos certificado apenas para quem tiver 75% de presença nas aulas ao vivo.

Para mais informações: [email protected]

Ministrado por

Larissa Drigo Agostinho

Mestre e doutora em Letras pela Universidade de Paris IV, mestre em filosofia pela Universidade de Paris I e pós-doutoranda em filosofia pela Universidade de São Paulo, com estágio de pesquisa na Universidade de Paris I.

Aulas

AULA 1
Data: 11/01/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 2
Data: 13/01/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 3
Data: 18/01/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 4
Data: 20/01/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 5
Data: 25/01/2021
Horário: das 19h às 21h

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AULA 6
Data: 27/01/2021
Horário: das 19h às 21h