As ondas dos movimentos feministas: uma perspectiva crítica

CURSO MINISTRADO POR: Beatriz Rodrigues Sanchez

VAGAS: 35

CARGA HORÁRIA: 8h

DIAS DO CURSO: 05, 06, 07 e 08/11/2019, das 20h às 22h

 

O curso tem como objetivo apresentar uma perspectiva crítica sobre as ondas dos movimentos feministas

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Ementa do Curso

As teorias feministas contemporâneas têm ganhado cada vez mais espaço, tanto na academia quanto no ativismo político. Na arena política, os movimentos feministas têm sido responsáveis pela conquista de diversos direitos políticos, sociais e econômicos. No âmbito da construção do conhecimento, as teorias feministas se caracterizam por serem interdisciplinares, abrangendo áreas como ciência política, sociologia, antropologia, filosofia e psicologia.

Partindo desses pressupostos, o curso tem como objetivo apresentar uma perspectiva crítica sobre as ondas dos movimentos feministas. A história oficial do feminismo divide o movimento em três ondas. A primeira diz respeito à conquista do sufrágio durante o século 19, ou seja, o direito de as mulheres votarem e serem votadas. A segunda onda, localizada entre os anos 1950 e 1990, está relacionada à reivindicação de que o pessoal é político, o que levou à instabilidade das fronteiras entre público e privado. Foi nessa mesma época que teóricas feministas formularam o conceito de gênero. A terceira onda, datada dos anos 1990 e presente até os dias de hoje, por um lado questiona as identidades fixas a partir de uma perspectiva que pode ser considerada pós-moderna e, por outro, demonstra a pluralização de identidades a partir do conceito de interseccionalidade. Recentemente, algumas teóricas têm afirmado que estamos passando por uma transição para uma quarta onda marcada fortemente pela atuação em redes, por novos repertórios de ação, pela horizontalidade e pela presença da internet.

Essa separação dos movimentos feministas em ondas tem fins didáticos. Na prática, múltiplas perspectivas e reivindicações sempre estiveram presentes nos feminismos, multiplicidade essa que torna os movimentos feministas tão potentes. O curso pretende, portanto, apresentar uma visão crítica da classificação dos movimentos feministas em ondas a partir de diversos pontos de vista. Os feminismos não são um campo de saber homogêneo e nem as mulheres formam um grupo social coeso. Tendo isso em vista, o curso analisará os principais embates do campo feminista considerando sua pluralidade, a partir da perspectiva dos feminismos negros, marxistas, decoloniais e queer. Ao final do curso, espera-se que as alunas sejam capazes de compreender a construção histórica das ondas dos movimentos feministas e dos principais conceitos que caracterizam o pensamento feminista.

Aula 1 – A primeira onda dos movimentos feministas: as lutas pelo direito ao voto e pela abolição da escravidão

Apresentação das alunas e roda de conversa sobre expectativas para o curso.
Apresentação da professora e programa do curso.
Aula expositiva sobre a primeira onda dos movimentos feministas.

Leitura recomendada: DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016. Capítulos 1, 2, 3 e 4.

Aula 2 – A segunda onda dos movimentos feministas: o pessoal é político!

Exibição de trecho do filme “She’s beautiful when she’s angry”.
Aula expositiva sobre a segunda onda dos movimentos feministas.
Debate sobre o texto.

Leitura recomendada: SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil para a análise histórica. Cadernos de História, vol.11, n. 11, Recife: UFPE, 2016, p. 9-39.

Aula 3 – A terceira onda dos movimentos feministas: interseccionalidade, pós-modernidade e de(s)colonialidade

Aula expositiva sobre a terceira onda dos movimentos feministas.
Debate sobre o texto.

Leitura recomendada: ANZALDÚA, Gloria. La conciencia de la mestiza: rumo a uma nova consciência. Revista Estudos Feministas, vol.3 n. 3, 2005, p. 704-719.

Aula 4 – Rumo à quarta onda dos movimentos feministas?

Aula expositiva sobre a quarta onda dos movimentos feministas.
Debate sobre o texto.
Encerramento e avaliação do curso.

Leitura recomendada: FEDERICI, Silvia. O feminismo e a política dos comuns. In: Pensamento feminista: conceitos fundamentais; Org. Heloisa Buarque de Hollanda. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.

Outras referências bibliográficas

ALVAREZ, Sonia. Para além da sociedade civil: reflexões sobre o campo feminista. Cadernos Pagu, n°43, 2014.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2015. Capítulo 1.

CARNEIRO, Sueli. Enegrecer o feminismo: a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero. In: Racismos contemporâneos, Rio de Janeiro: Takano Editora, 2003, p. 49-58.

COLLINS, Patricia Hill. Intersectionality’s definitional dilemas. Annual Review of Sociology, Palo Alto, n. 41, p. 1-20, 2015.

Combahee River Collective. The Combahee River Collective statement. [1978]. In: Smith, B. (org.). Home girls: a black feminist anthology. New Jersey,Rutgers University Press, pp. 264-274, 2008.

CRENSHAW, Kimberlé. Demarginalizing the intersection of race and sex: a black feminist critique of discrimination doctrine, feminist theory and antiracist politics. University of Chicago Legal Forum, pp. 139-167, 1989.

GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, 1984, p. 223-244.

hooks, bell. Feminist theory: from margin to center. Boston: South End Press, 1984.

KARAWEJCZYK, Mônica. As Filhas de Eva querem votar: dos primórdios da questão à conquista do sufrágio feminino no Brasil (c.1850-1932). Tese (Doutorado em História). Porto Alegre: IFCH/UFRGS, 2013.

KOLONTAI, Alexandra. A nova mulher e a moral sexual. São Paulo: Expressão Popular, 2000.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Revista Estudos Feministas, vol. 22, n. 3, 2014, p. 935-952.

MATOS, Marlise. Movimento e teoria feminista: é possível reconstruir a teoria feminista a partir do Sul global?. Rev. Sociol. Polit, 2010, vol.18, n.36, pp.67-92.

PRECIADO, Paul B. Multidões queer: notas para uma política dos “anormais”. Revista Estudos Feministas, vol. 19, n. 1, 2011, p. 11-20.

TELES, Maria Amélia. Breve história do feminismo no Brasil e outros ensaios. São Paulo: Alameda, 2017.

WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos das mulheres. São Paulo: Edipro/Boitempo, 2015.

 

Ministrado por

Beatriz Rodrigues Sanchez

Doutoranda e mestra em Ciência Política pela Universidade de São. É formada em Relações Internacionais pela mesma Universidade. Faz parte do Grupo de Estudos de Gênero e Política da Universidade de São Paulo e do Núcleo Democracia e Ação Coletiva do CEBRAP. Desde o ensino médio, temas relacionados aos estudos feministas e à política fazem … Continue lendo “Beatriz Rodrigues Sanchez”

Aulas

AULA 1
Data: 05/11/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 2
Data: 06/11/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 3
Data: 07/11/2019
Horário: das 20h às 22h

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AULA 4
Data: 08/11/2019
Horário: das 20h às 22h